O seu jornal virtual de cultura

Um jornal virtual dedicado aos jovens. Falarei sobre cinema, meu foco principal, e sobre assuntos culturais que agradem aos interessados. Criamos esse blog para escrever e aperfeiçoar minha futura profissão, e, principalmente, para interagir com as pessoas do meio jornalístico e todos que tenham gosto por cultura e cinema. Deixem seus comentários, críticas, depoimentos e participem com dicas e dúvidas. Espero que gostem do meu trabalho. Wânyffer Monteiro

sábado, setembro 02, 2006

Minha vida em cor-de-rosa - Uma abordagem sociológica

Título original: Ma vie en rose
Gênero
: Drama; Comédia
Duração
: 88 minutos
Ano
: 1988
Cine-repórter: Aline Farias

Sinopse: Minha vida em cor-de-rosa

retrata o drama comovente de um menino que, desde muito cedo, apresenta fortes tendências homossexuais. O protagonista, Ludovic Fabre, cresce acreditando ser uma garota em um corpo masculino e pensa que um dia se tornará uma menina de verdade. Suas idéias e atitudes incomuns vão contra os valores e costumes de sua sociedade, fazendo com que ele e toda sua família sofram uma grande repressão.

O filme começa com Ludovic, aos sete anos, vestindo-se de menina e apresentando-se como tal em uma festa de boas vindas promovida por seus pais, que tinham acabado de se mudar para um novo bairro. O mal-estar é inevitável. Apesar de todos buscarem agir naturalmente, a má impressão prevalece e os insultos à criança se iniciam depois desse episódio.

O pai de Ludovic, diante da situação acima descrita, já demonstra grande preocupação com o que os outros pensarão de seu filho e tenta reverter essa situação dizendo ser o menino "ótimo em disfarces", apesar de saber que não era a primeira vez que aquilo acontecia. Isso demonstra a grande dificuldade que existe em aceitar tudo que é diferente em uma esfera social marcada por uma moral cristalizada, onde o novo é rejeitado e os costumes se impõem diante das mais simples circunstâncias.

A família não sabe como proceder diante do comportamento estranho do filho e oscila entre respeitar suas "fantasias pueris" e forçar-lhe uma mudança de atitude. Somente a avó parece posicionar-se com clareza a favor da liberdade de expressão do menino, afirmando que um dia ele entenderá que é homem e não mais terá vontade de agir diferentemente.

O fato é que por mais que os pais tentem compreender o filho e respeitar-lhe as decisões, a pressão social não permite que isto aconteça. A mãe do garoto inúmeras vezes procura educá-lo segundo suas convicções, deixando que ele seja livre e tome decisões independentes, mas todo seu esforço é perdido quando o "ser social" mostra sua superioridade e coage-a, de forma que ela se sente obrigada a ir contra seus princípios e educar o filho da maneira aceita por todos. Caso contrário, a criança continuaria passando por constrangimentos cada vez maiores, a humilhação pioraria e a família seria, gradativamente, excluída por aqueles com as quais convivia, como acabou acontecendo.

Ludovic refugia-se em um mundo imaginário onde tudo aquilo que ele deseja e considera absolutamente natural está a sua inteira disposição. Em seus momentos introspectivos tudo é cor-de-rosa, veste-se de menina, idealiza um casamento com um vizinho de sua mesma idade e tem como companheira constante uma boneca que lhe oferece proteção.

O "menino-menina", como Ludovic se reconhece, parece tentar conter seus desejos satisfazendo-os mentalmente,

já que é tão recriminado pelos que o rodeiam. Seu sofrimento é o maior possível, pois se sente discriminado pelas instituições que o cercam: a família e a escola.

A polêmica da sexualidade, especialmente no que se refere à mudança de gênero, não é um fator de influência apenas pessoal, envolve também questões políticas e sociais. São várias gerações de pensamentos, cultura e organização fixas. Não pode ser, portanto, facilmente alterada.

O momento no qual Ludovic e seu amigo de bairro são flagrados dramatizando o casamento deles mostra o quão consolidados são os valores morais de sua sociedade. A mãe do colega de Ludovic desmaia no instante em que vê a cena e, após o ocorrido, o protagonista é motivo de opróbrio em toda sua escola. Até o amigo de bairro que tinha se disposto a "casar" com ele no dia anterior evita sua companhia com medo de ir para o inferno.

Quando a situação passa a ser entendida por seus pais como algo verdadeiramente preocupante, o menino é encaminhado a uma psicóloga. Todas as tentativas de mudar as idéias dele, contudo, falham. A situação se agrava. A rejeição da vizinhança começa a se estender à família e a qualquer um que ouse aproximar-se de um garoto com evidências tão latentes de homossexualismo.

O problema toma maiores proporções quando, no teatro do colégio, Ludovic tenta passar-se por Branca de Neve e ganhar um beijo do colega pelo qual, desde o início da narrativa, demonstra atração e com quem sonha casar-se. Ao ser retirado um véu que escondia seu rosto, todos vêem a farsa. Os pais dos demais alunos, indignados, passam a fazer freqüentes reclamações no colégio, pois não querem seus filhos convivendo com o mau exemplo que representa o garoto afeminado. Depois de um documento assinado por todos os pais, ele é obrigado a deixar a escola.

Nesse ponto, já é possível observar o poder de uma coerção social. Por mais que houvesse opiniões divergentes, como a da professora de Ludovic, que consegue entender e respeitar as diferenças, o que prevalece é a síntese dos pensamentos de uma maioria, ou seja, a opinião própria do "ser social".

Mesmo que alguns poucos batalhem pela aceitação das atitudes do garoto, somente o tempo, com o passar das gerações, e um grande número de tentativas podem, gradativamente, promover essa transformação.

As humilhações se intensificam a um nível insuportável. O menino passa por uma fase de profunda confusão mental. Tenta ,algumas vezes, com insucesso, agir virilmente. Busca conforto no seu mundo róseo particular, mas nada consegue fazer com que perca a idéia de que é uma garota no corpo errado.

É comovente a cena na qual, após Ludovic desaparecer por algum tempo, sua mãe o encontra em posição de morto, abraçado a um crucifixo, como se estar sem vida fosse seu desejo naquele instante

.
O menino rende-se ao que parece ser o melhor para todos, tenta desistir da vida. O fato de um menino de apenas sete anos pensar no suicídio é muito relevante. Mostra, com clareza, o quão coagido estava para alterar seu comportamento. Não consegue, por isso vislumbra a solução através da morte.

Depois da evidente demonstração de desespero de Ludovic, seus pais, aconselhados pela avó, deixam o menino ir para a festinha de aniversário de uma vizinha vestido de saia, mesmo não tendo sequer sido convidados. A estupefação é geral. Apesar de todos hipocritamente aparentarem achar tudo absolutamente compreensível, as conseqüências são as piores possíveis.

A sociedade encontra seu meio de punição. O pai do garoto perde o emprego, a família começa a passar por muitas dificuldades financeiras e o escárnio promovido pela vizinhança é tão devastador que os Fabre não têm mais condições de permanecer naquele bairro.

A mãe de Ludovic, em uma cena inicialmente confusa, beija a boca de um de seus vizinhos, que, apesar de estupefato, não consegue esconder seu contentamento. A mulher parece querer provar que ele, assim como Ludovic, também tem desejos proibidos, não os realizando com medo da reação do meio social, mas nem por isso deixa de tê-los.

No desenrolar dos acontecimentos, o "menino-menina" acaba indo morar algum tempo na casa da avó, por não suportar mais os constrangimentos que passa todos os dias. Ser obrigado a cortar seu cabelo é um dos golpes mais cruéis de repressão pelo qual passa. Finalmente, seu pai consegue um emprego em uma cidade distante e o menino decide ficar com sua família nessa mudança.

O “ser social” mostra de uma vez por todas sua superioridade, fazendo com que os Fabre, não adaptados às regras de conduta moral, tenham que se deslocar em condições financeiras inferiores e com sua organização interna profundamente abalada, sendo Ludovic constantemente culpado por tudo aquilo que enfrentavam.

Quando a família se muda para outra cidade, os pais do menino encontram uma situação semelhante à deles, na qual uma garotinha, embora tenha comportamento masculino, é tratada com naturalidade. A mãe de Ludovic parece finalmente voltar a enxergar o quão dura está sendo com seu filho. No desfecho da narrativa, apesar de todas as transformações sofridas pelo núcleo em foco, todos parecem conformados com a situação e dispostos a tentar reconstruir suas vidas aceitando a condição diferenciada do protagonista.

A história apresenta pontos cômicos e traz uma edificante mensagem de convivência com as diferenças, apesar do claro enfoque nos aspectos dramáticos e polêmicos da situação repressiva e preconceituosa vivida por Ludovic, inserido em um contexto social conservador que não lhe poupa sofrimento ao privar-lhe do direito de ser aquilo que sua natureza propunha tão insistentemente.



Elenco e equipe técnica:

Michèle Laroque interpretando Hanna Fabre

Jean-Philippe Écoffey interpretando Pierre Fabre
Hèlène Vicent interpretando Élisabeth
Georges Du Fresne interpretando Ludovic Fabre
Daniel Hanssens interpretando Albert
Laurence Bibot interpretando Lisette
Jean François Gallotte interpretando Thierry
Caroline Baehr interpretando Monique
Julien Rivière interpretando Jérôme
Marie Bunel interpretando a piscicóloga
Gregory Diallo interpretando Thom Fabre
Erik Cazals De Fabel interpretando Jean Fabre
Cristina Barget interpretando Zoé Fabre
Delphine Cadet interpretando PamMorgane
Bruna interpretando Sophie
Raphaelle Santini interpretando Christine
Marine Jolivet interpretando Fabrienne
Anne Coesens interpretando a professora
Vincent Grass interpretando Principal
Catherine Hirsh interpretando a secretária
Kevin Martin interpretando Kevin
Marie Beatrice Paillard interpretando Manon
Peter Bailey interpretando Jeremie
Charly Esposito interpretando Tristan
Jeremy Durieu interpretando Lucien
Michael Cordera interpretando Ben
Erwan Demaure interpretando Jonathan
Simon Poitier interpretando Bertrand
Alexandra Genoves
Alice Detrouleau
Michel Forget
Sabrina Leurquin
Bruno Georis
Baptiste Hupin
Alexandre Isaye
Robin Lemoine
Damien Nireau
Estúdio: Centre National de la Cinématographie (CNC)
Distribuição: Sony Pictures Classics
Direção: Alain Berliner
Roteiro: Alain Berliner, Chris Vander Stappen

Observação:
Esse texto é uma análise sociológica de
Minha vida em cor-de-rosa baseada nas teorias de Durkheim. O filme foi visto e debatido com a turma do primeiro semestre de jornalismo 2006.2 na UNIFOR, tendo como professora orientadora Geísa Mattos.

17 Comentários:

  • Às 9/02/2006 7:48 PM , Anonymous Anônimo disse...

    ai gente,que legal essa iniciativa!
    adorei! parabéns! :)

     
  • Às 9/02/2006 10:03 PM , Blogger Wânyffer Monteiro disse...

    Esse é o trabalho da minha colega ALINE FARIAS mias conhecida como musa do verão.
    Vc fez 1 excelente abordagem do filme e sabe disso.
    A Geísa ficaria orgulhosa d vc.
    Bjão e o próximo post é meu.
    [ui q medo]
    ahioushaoiuhso

    q;-*****

    Wânyffer

     
  • Às 9/02/2006 10:33 PM , Anonymous Anônimo disse...

    Parabéns pela iniciativa e pelo trabalho, ficou ótimo! Seu texto, que você, Aline, acha que ficou extenso, esta ótimo, fala o que tinha que falar destacando os aspectos mais relevantes do filme e fazendo comentários bastante diretos e explicitando o objetivo do texto! Parabéns mais uma vez! \../_ _\../

     
  • Às 9/02/2006 10:55 PM , Anonymous Anônimo disse...

    o post anônimo foi o meu!
    já começei errando! iiiihhhh!

     
  • Às 9/02/2006 10:59 PM , Anonymous Anônimo disse...

    e escrevendo comecei com ç
    CARAMBA!
    mas uma vez,muito boa a idéia!
    é a primeira de muuuitas!

     
  • Às 9/02/2006 11:02 PM , Anonymous Anônimo disse...

    Line,
    É muito bom ver você despontando como jornalista...quero acompanhar todo seu crescimento...Adorei os comentários sobre o filme...
    Bjo!!!

     
  • Às 9/03/2006 9:12 AM , Anonymous Anônimo disse...

    Aline , meus parabéns.
    Foi fantástica , você será uma ótima jornalista.
    boa sorte pra vcs e tdo de bom.

     
  • Às 9/03/2006 11:55 AM , Anonymous Anônimo disse...

    aline...mulher...q texto!!!!
    mto bem escrito,vc soube abordar o tema,sem preconceiots,escreveu sob a ótica d durkheim,e soube captar o básico do filme,o quão coagido socialmente estava o menino ludovich e sua família...
    PARABÉÉÉÉÉNNNSSS
    musa do verão tem tdo pra conquistar outros títulos...
    ;***

     
  • Às 9/03/2006 3:09 PM , Anonymous Anônimo disse...

    O texto tá muito bom, porém, longo demais pra uma sinopse, inclusive podendo ser evitadas algumas palavras desnecessárias que são de difícil entendimento da maioria; utilizar-se de uma linguagem mais facilitada seria o ideal.
    As comparações com as teorias de Durkheim estão perfeitas. Parabéns!

     
  • Às 9/04/2006 11:26 AM , Blogger Wânyffer Monteiro disse...

    Ñ é uma sinopse, mas uma análise sociológica do filme e seu resumo. A sinopse está apenas no 1º parágrafo, antes do início do texto.Mas vc n foi o único a reclamar do tamanho do texto e, quanto ao vocabulário, trabalharesmos para nos adaptar ao nosso público leitor. Suas críticas são sempre bem-vindas! Se possivel, identifique-se através do nosso email: portaljovemblog@hotmail.com, para trocarmos mais informações e crescer com suas sugestões. Aline

     
  • Às 9/04/2006 3:42 PM , Blogger CHIC-HANDSOME disse...

    hello,i like picture

     
  • Às 9/05/2006 6:16 PM , Anonymous Anônimo disse...

    bom.. belo filme... faz tempo q vi e foi bom pra relembrar...

     
  • Às 9/07/2006 2:12 AM , Anonymous Anônimo disse...

    Howww....
    Era pra ser a primeira....
    Essa iniciativa é mto estimulante msm....
    Claro q adoramos esse blog....
    Ele é próprio!!È nosso galera.....
    Temos msm q usufruir....
    Esse filme foi mto bom...
    Com ar de inocência......

     
  • Às 9/17/2006 9:00 PM , Anonymous Anônimo disse...

    line
    parabens!!!
    apesar de meio o extenso , o texto ñ está cansativo...
    vc tem talento garota
    bjinhus

     
  • Às 10/16/2009 9:23 AM , Blogger Unknown disse...

    Olá,
    Sou graduando em História da UFOP - MG e seu texto me salvou na aula de Psicologia da Educação, todos adoraram. Está de parabéns! E obrigada pela ajuda!
    Elis Furlan

     
  • Às 7/10/2011 11:52 PM , Blogger Wagner disse...

    Está errado! O filme data de 1997 e não 1988.

     
  • Às 2/22/2015 6:22 PM , Anonymous Carol Reis disse...

    Ele não era homossexual, mas sim transgênero; há uma grande diferença.

     

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