Harry Potter e a Ordem da Fênix

Gênero: Aventura
Tempo de Duração: 138 minutos
Direção: David Yates
Roteiro: Michael Goldenberg, baseado em livro de J.K. Rowling
Fotografia: Slawomir Idziak
Direção de Arte: Alastair Bullock, Gary Tomkins, Andrew Ackland-Snow e Mark Bartholomew
por Wânyffer Monteiro
Harry [Daniel Radcliffe] retorna a Hogwarts e descobre que muitos não acreditam que seu inimigo, lorde Voldemort [Ralph Fiennes], retornou, mesmo após o último encontro do bruxinho com o temido lorde. Piorando sua situação, o ministro da magia retira Alvo Dumbledore [Michael Gambon] da direção da escola, colocando Dolores Umbridge [Imelda Staunton] no cargo. Em decorrência destes acontecimentos, o nível do ensino de defesa contra as artes das trevas, ministrado de forma péssima por Dolores, cai, levando os alunos a elegerem um novo professor: Harry Potter. Auto-intitulando-se de “Armada de Dumbledore”, o grupo de estudos clandestino terá de aprender as magias por contra própria. Assim decorrem os acontecimentos
do 5º e mais sombrio capítulo da série.
Os momentos mágicos e infantis de Harry parecem ter ficado no passado, dando espaço há um mundo mais sombrio e negro. É só lembrarmos do encantamento causado nos primeiros episódios pelas descobertas da magia e como nos divertíamos com os torneios de quadribol e com os bruxos atravessando a plataforma 9 ½. É notável a diferença e o amadurecimento dos jovens personagens da série. Potter que antes era sufocado pelos Dursley, agora sabe que o preço da liberdade pode ser sua própria vida. A criança Harry se foi, deixando aparecer um jovem amargurado e pressionado pelo fato da vida de tantos estar em suas mãos.
David Yates é o quarto cineasta a contribuir com a série e fez um bom trabalho. Yates, com mais experiência em tv que no cinema, conferiu à Ordem da Fênix um tom político que lhe é singular, afinal Potter e seus amigos mostram-se contra imposições ditatoriais do ministério da magia. David mantêm o humor negro característico desde o longa original e acerta na adaptação do livro para às telonas. O quinto livro da série faz o filme parecer um “caçador de níqueis” armado por Rowling para nos preparar para as verdadeiras aventuras de Potter.
O filme em questão impressiona pela melhor direção de arte da série, brilhantemente executada por Alastair Bullock, Gary Tomkins, Andrew Ackland-Snow e Mark Bartholomew, que mostra imagens externas esplendidas, assim como a enganosamente acolhedora sala rosa de Dolores Umbridge, passando pelo ministério da magia e por imagens como a de várias vidraças quebrando-se e os fogos de artifício dos irmãos Weasley dando um tom de espetáculo à película. Apesar disso, a direção falha em alguns aspectos. O gigante Grope, irmão de Hagrid , por exemplo, não é tão realista e convincente quanto o troll do primeiro longa. O filme erra ainda em um dos fatos mais importantes de seu roteiro. A morte de um certo personagem, que deveria ser o ponto alto da trama, não consegue ter o mesmo peso emocional que no livro, quebrando o ápice do filme.
Os focos principais da história são dois personagens: Dolores Umbridge e Harry Potter. A pressão exercida sobre Harry pelos últimos acontecimentos e a “doce crueldade” de Dolores, excelentemente interpretada por Imelda Staunton, que conferiu à personagem um ar de falsidade muito peculiar, enriquecem a trama. E se Michael Gambon, Allan Rickman e Maggie Smith, um elenco de primeira, mal participam da película, Radcliffe e Imelda fazem sua parte. Staunton transformou Umbridge no mesmo ser despresível e irritante do livro sendo um grande trunfo do filme. O diretor também não abre mão de demonstrar a amizade entre os três bruxinhos protagonistas da série: Harry, Rony [Rupert Grint] e Hermione [Emma Watson] que é um dos grandes segredos do sucesso da história escrita por Rowling, assim como o carinho demonstrado entre Sirius [Gary oldman] e seu sobrinho, além de, neste capítulo, expor a paixão de Harry por Cho Chang [Katie Lang]. Os flashbacks proporcionados por Yates são de extrema importância. Ao penetrar na mente de Snape [Alan Rickman], Harry vê a
adolescência de seu pai, Tiago, e dá ao filme um detalhe brilhante ao mostrar um pouco da verdadeira história de Snape e quebrar sua áurea de inatingível e frio. Yates dá à Ordem da Fênix uma riqueza de detalhes nas personalidades de cada personagem que, com certeza, agradará aos fãs que poderão ficar decepcionados com a falta do jogo de quadribol e com as breves aparições de Tonks.
Harry Potter e a Ordem da Fênix é, em seu todo, um bom filme, embora pareça ser apenas um aquecimento para as últimas aventuras dos bruxinhos de Hogwarts que, todos esperamos, serão bem melhores que as que lhe conferiram tamanho sucesso.